segunda-feira, 12 de julho de 2010

ONDE ESTÁ O SEU HERÓI?


Quando era adolescente, sempre gostei de ler estórias em quadrinhos. De certo, também, tinha o meu herói preferido, a saber, O HOMEM-ARANHA.

Gosto de suas pitadas de humor. Gosto do seu poder. Gosto do conflito que tem consigo próprio, nas palavras do TIO BEN - grandes poderes trazem grandes responsabilidades, ou algo parecido. Enfim, sou FÃ do herói, em quadrinhos, do cara.

Acho super saudável o incentivo à leitura. E, nada melhor, quando ainda adolescente, ler algo interessante, aventureiro, com heróis, vilões, mocinhas em perigo etc... Acho que pegou a ideia!

Desta feita, aconselho a leitura.

No entanto, o fato é que são heróis fictícios. Nada mais! Nada menos!


Um fato interessante sobre o universo dos quadrinhos, a propósito, era profundamente mergulhado nesse universo.

Um breve relato dessa minha imersão neste universo: comecei lendo HOMEM-ARANHA, parti para o SUPER-HOMEM, depois me vi envolvido tanto no universo DC, quanto no universo MARVEL.
Mas, continuando, o interessante é que, quando um filme desses heróis ganha vida, ou seja, produção Hollywoodiana, algumas pessoas que assistem não entendem o filme. Dizem que é mentiroso.

Um homem balançar de um prédio ao outro com auxílio de uma teia. Voar. Exibir garras de adamantium. Ficar verde e com força descomunal. Assim por diante.

Muitas das pessoas que assistem a tais filmes, não entram no universo da personagem, se opondo, assim por dizer, das características da mesma, que são sua força, sua relação com o heroísmo, seus conflitos pessoais – o fato de ser herói contrapõe com o fato de ter uma família; que por sua vez, contrapõem com o fato de poder ter uma família ou não (casos como o SUPER-HOMEM e LOIS LANE – ela poderá engravidar do SUPER?), entre outros fatores ao qual o herói está fadado a passar, viver, sofrer...

O problema, a meu ver, é quando trazemos essa carga emotiva, essa admiração por personagens fictícios, para as “personagens” da vida real. Imaginamos, assim como nos quadrinhos, uma pessoa com superpoderes, com uma vida secreta interessante, querendo, ou, de certa forma, influenciando, na maioria das vezes, pelo bem da humanidade. Arriscando sua vida em prol de outras, sem a nítida e mínima intenção de receber um obrigado ao final. E por aí vai.


Nesses últimos dias estamos chocados, estarrecidos, incomodados com o caso BRUNO. Sim, o caso BRUNO!
É verdade? É mentira? Somente ao final do processo saberemos. Pensando como um jurista, direi que todos somos inocentes até que provem do contrário. Logo, BRUNO é inocente, até provarem do contrário.


Sou FLAMENGUISTA e, de certa forma, essa situação me incomoda. Não pelo fato de atribuí-lo um poder específico, ser um deus, ou, qualquer outra coisa parecida, mas, simplesmente, pelo fato de ser torcedor do FLAMENGO.

Em meu achismo, acredito que a “nação”, somos mais de 32.600.000 (trinta e dois milhões e seiscentos – site do flamengo http://www.flamengomtm.kit.net/torcida/maior_do_mundo.htm) espalhados pelo mundo, está sentida com o caso.

Não é por menos. Tem suspense, drama, requinte de crueldade, caso amoroso, enfim, uma história que gostaríamos que fosse somente uma estória. Daquelas que ao final, tudo acaba bem.

Como disse antes, não que fosse nosso HERÓI, mas, ficamos realmente sentidos.


O que me faz lembrar do CAZUZA. Não foi ele quem cantou que seus heróis foram mortos por overdose? Burguês que caçoava da própria linhagem, assim por dizer, dizendo ser diferente! Será?

Dizia ser artista. Dizia que enquanto houvesse burguesia, não haveria poesia.

Dizem que foi poeta! Foi burguês, isto é fato. Logo, não fosse o empenho do seu pai pela sua educação, o seria? Fato é, ficava na “vagabundagem” (Extraído de sua Biografia, site: http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_3829.html). Sua vida era vivia sob o trinômio: SEXO, DROGAS e ROCK’N ROLL. Além, é claro, de sua opção sexual, era bissexual.

Engraçado que o mesmo burguês arrogante, que não ligava para a vida, que vivia o hoje, não pensava no amanhã, sob o trinômio acima descrito, depois de ser acometido de doença terminal (à época), suplica por uma ideologia prá viver.

Já ouviu essa música antes, IDEOLOGIA? Já? Prestou atenção à letra? Não? Então, preste nesses trechos que cortamos:

“Meu partido
É um coração partido
E as ilusões
Estão todas perdidas
Os meus sonhos
Foram todos vendidos
Tão barato
Que eu nem acredito
Ah! eu nem acredito...”

“...
O meu prazer
Agora é risco de vida
Meu sex and drugs
Não tem nenhum rock 'n' roll
Eu vou pagar
A conta do analista
Pra nunca mais
Ter que saber
Quem eu sou
Ah! saber quem eu sou..”

“...
Pois aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo
Agora assiste a tudo
Em cima do muro
Em cima do muro...”



FREUD diria que acima, encontra-se uma pessoa brigando com o que foi, e, vendo que “tudo” o que foi, não o levou a lugar algum. Uma pessoa dividida entre suas crenças e, a constatação que, enfim, elas não o levaram a nada.

Um derrotado. Um LOSER! (no bom inglês).

Dito isto, finalizo com a simples indagação: e você? Quem é o seu HERÓI?

Meu irmão, saiba onde está depositando sua fé. Sua esperança.

Ah! Caso queira saber o meu, na boa, na real, sempre foi DEUS. Deposite n’Ele, e somente n’Ele suas esperanças que, com certeza, ao final de sua estada aqui na terra, poderá dizer igual ao APÓSTOLO PAULO: “COMBATI O BOM COMBATE, ACABEI A CARREIRA, GUARDEI A FÉ. (2 Tm 4:7)”

Amém!

http://letras.terra.com.br/cazuza/43860/ IDEOLOGIA
http://letras.terra.com.br/cazuza/43858/ BURGUESIA

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A MÚSICA PELA HISTÓRIA

A música sempre teve um lugar – às vezes mesmo um papel central – na educação ocidental.
Os habitantes da Mesopotâmia acreditavam que os intervalos musicais eram o espelho da harmonia do Universo, e podemos supor que a música fosse estudada conjuntamente com a astronomia e a matemática nos seus templos. Para os gregos, a música significava cultura intelectual em geral, incluindo a literatura e a arte, para além da música no sentido moderno; a música (cultura do espírito) e a ginástica (cultura do corpo) eram os dois principais ramos da educação, e também dois dos principais atributos dos deuses gregos.
Na Idade Média, a Igreja monopolizou a educação: a principal utilidade do treino musical era então a de garantir a entoação correcta do cantochão. As primeiras scholae cantorum surgiram no início da Idade Média e continuaram a ter um papel crucial na educação musical européia durante muitos séculos.
A velha associação da teoria musical com a matemática e a astronomia foi mantida nos curricula universitários mediavais e renascentistas, cujas matérias se dividiam em dois grupos: o quadrivium (geometria, aritmética, música e astronomia) e o trivium (gramática, dialéctica e retórica). Durante a Renascença, a capacidade de tocar um instrumento ou cantar era socialmente indispensável, e qualquer artista ou pensador tinha conhecimentos de teoria musical.
As igrejas protestantes que surgiram a partir da reforma do séc. XVI, também elas realçaram a importância da música na educação. Esta realidade é vincadamente dominante no caso da igreja luterana. Martinho Lutero, ele próprio aludista e compositor, contribuiu em larga medida para o estabelecimento de uma tradição duradoura de educação musical na Alemanha.

A música tinha um papel significativo no pensamento de vários reformadores da educação dos sécs. XVIII – XIX. Muitos deles basearam-se no filósofo francês Jean-Jacques Rosseau (1712-78), que se interessou pela música ao longo de toda a sua vida. No seu livro “Emile”, em que descreve a educação ideal para um rapaz, Rosseau incluiu propostas promenorizadas para o treino musical. Sugeriu que o interesse pela música poderia ser despertado se os alunos aprendessem canções simples por ouvido, da mesma forma que aprendemos a falar, sendo que a leitura musical só deveria vir depois. Muitos professores de música modernos, concordam hoje com estas ideias.
Sucessores de Rosseau (distintos pensadores na época), realçaram também o valor da música na educação. Pestalozzi, sustentava que a música ajudava a «harmonizar» o carácter, e Froebel sustentava que a música ajudava a criança a realizar todo o seu potencial. A ligação entre a música e movimentos corporais, a importância do ritmo e da coordenação motora, o desenvolvimento da memória auditiva, constituíram ainda a base de importantes metodologias de ensino usadas na europa central.

No séc. XX, entre os que contribuiram para o desenvolvimento de uma pedagogia musical orientada para as crianças mais jovens, incluem-se o alemão Carl Orff, o húngaro Zoltán Kodály e o violinista japonês Schinichi Suzuki. O sistema Orff usa música tonalmente simples e rítmicamente viva para conjuntos de instrumentos de percussão (de altura definida e indefinida), desenvolvidos específicamente para o efeito. Nas escolas húngaras, o uso do método de Kodály, em que os conceitos musicais vão sendo construídos em fases cuidadosamente graduadas, levou a que praticamente deixasse de haver analfabetismo musical, o que constitui um resultado simplesmente brilhante. Pessoalmente, gostaria que na minha freguesia conseguíssemos pelo menos levar o ensino da música a 50% das crianças que frequentam o ensino escolar obrigatório. No sistema de ensino do violino desenvolvido por Susuki, as crianças começam com violinos pequenos logo que são capazes de segurar neles. A técnica é desenvolvida como uma resposta física natural à percepção auditiva e não há leitura musical em jogo, no início.

Com o desenvolvimento da técnica musical tornou-se necessária uma formação musical especializada, dirigida sobretudo à formação de músicos profissionais, compositores e professores, a maior parte dos quais estão destinados a funcionar no domínio da música erudita. Para um jovem músico atingir o nível exigido para o ingresso numa orquestra profissional (e ainda mais para se tornar um solista), a aprendizagem tem que começar cedo.
Um relacionamento com o professor num plano individual torna-se indispensável – mas dispendioso, não estando financeiramente ao alcance de todos.
Os Conservatórios de Música e as Academias têm registado um crescimento assinalável no nosso país, muito embora nos grandes centros urbanos e sobretudo no litoral. Este afastamento geográfico da nossa região está a condicionar a evolução qualitativa dos nossos executantes, pelo que é urgente juntar esforços, conjugar parcerias entre particulares, Instituições e Associações e poder político, para inverter esta tendência.

Para concluir e pelo que acima foi dito podemos inferir que a Música relaciona-se com outras áreas chave da educação e formação da humanidade, como por exemplo a Matemática; Ciência; Actividade Física; Actividade Social; Arte/Tecnologia e Linguagem, tendo sido veículo de importantes permutas culturais e suporte essencial de tantas outras artes como a poesia, a dança, o teatro, o cinema, etc. Desta forma e pelo ensinamento que a história e a actualidade nos dá seria um desperdício, quase uma falta imperdoável, não proporcionarmos hoje aos nossos filhos o ensino de tão sublime e universal linguagem.

Rui Vilafanha
Maestro da Filarmónica Verdi Cambrense
Extraido do Boletim I “Ecos da Verdi” da Filarmónica Verdi Cambrense